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As Talhas Alentejanas

Sobre esta herança mediterrânica de vasilhame para líquidos, sobretudo para preparação e armazenagem dos vinhos, representativa da “civilização do barro própria desta região”, Vidigueira-Vila de Frades, deixou-nos Fialho de Almeida na sua obra Estancias d’Arte e de Saudade uma descrição que resume de forma simples, mas muito elucidativa, a função histórica e patrimonial destas vasilhas ao serviço do vinho tradicional do Alentejo.

“… A adega não põe tonneis, e guarda-se o vinho ainda no vasilhame tradicional do velho Alemtejo – explicando melhor, em talhas de barro pesgadas, das quaes multisecularmente tiveram monopólio as olarias de Reguengos e algumas villas mais. As talhas primitivas eram de formato pequeno, barrigudas, cómicas, côr de saragoça como frades gordos, e sem pescoço, apopléticas, de bocal curtíssimo, levando entre vinte e cinco e trinta almudes. As modernas, dobraram, e triplicaram mesmo de capacidade receptora, esvasando-se no gargalo e base, curiosamente, e rebentando até, na época da fermentação do mosto, com relativa galhardia….”

Curiosamente, durante um tempo foram repudiadas ou esquecidas, muitas foram destruídas, outras ficaram encerradas nas antigas adegas ao abandono, outras foram aproveitadas e expostas como adorno. Com o retomar da tradição de produzir os vinhos nestas vasilhas nos últimos anos, sobretudo a partir de 2017, grande parte delas voltaram á “vida ativa”. Por todo o Alentejo há um aumento crescente na procura de talhas, uma preocupação na recuperação dos exemplares que se encontram nas adegas mais antigas que se encontram encerradas.

Atualmente sem talheiros que possam assegurar o fabrico de talhas para responder à procura, encontramos nas adegas da Vidigueira, segundo os dados apurados em 2019, cerca de 700 talhas e potes de barro com capacidades entre os 100 litros e os 2000 mil, com datas de produção dos séculos XVII a XX, provenientes dos principais centros oleiros do Alentejo, Campo Maior, Reguengos, da Aldeia de Mato, atual S. Pedro do Corval. 

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